Voltamos de viagem com Ozzy e encontramos carrapatos até na cama: o que eu gostaria de ter sabido antes

carrapatos após viagem com pets

A viagem era para descansar. Teve chuva, rio, tucanos e uma visita inesquecível de capivaras. Só depois de voltar para casa percebemos que alguns carrapatos também tinham vindo conosco.

Em setembro, minha família e eu alugamos um Airbnb para relaxar e desligar um pouco da correria. A propriedade tinha acesso a um rio nos fundos. Imaginei que passaríamos bastante tempo ao ar livre, mas choveu quase todos os dias. Por isso, aproveitamos mais a varanda e a sala.

De madrugada, um barulho nos acordou. Fomos descobrir o que era e encontramos cerca de dez capivaras perto do rio, comendo junto a um pé de banana. Havia adultos e filhotes. Ficamos encantados com a visita, assim como com os tucanos que apareceram durante a estadia.

Na volta, a lembrança da viagem ganhou um capítulo inesperado. Encontramos carrapatos em mim e em outras pessoas da família. Conferimos Ozzy, nosso cachorro, e não vimos nenhum nele; ele usava uma coleira contra pulgas e carrapatos. Os gatos também tinham viajado conosco. Em um deles, achamos um carrapato.

Depois, apareceram mais alguns carrapatos mortos pela casa e até na cama. A pergunta veio imediatamente: como eles chegaram ali se não tínhamos visto nada durante a viagem?

A experiência me fez olhar para esses parasitas com mais atenção. Também mostrou como é fácil tirar conclusões apressadas: ver capivaras perto do rio não prova de onde vieram os carrapatos, assim como não encontrar nenhum em Ozzy não explica, por si só, o que aconteceu com o restante da família.

 

Carrapatos podem entrar em casa mesmo quando o cachorro parece protegido?

Podem. Eles podem seguir viagem presos à roupa, aos sapatos, à bagagem ou ao pelo de um animal. Um carrapato ainda solto também pode passar de um objeto para outro antes de se fixar na pele. Por isso, encontrar parasitas na cama não significa necessariamente que eles estavam presos ao cachorro.

Foi esse detalhe que mais me surpreendeu. Nossa primeira reação, ao voltar, foi examinar Ozzy. Como ele usava coleira antiparasitária e não encontramos carrapatos em seu corpo, parecia que a busca tinha terminado. Então verificamos os gatos, encontramos um parasita em um deles e continuamos a procurar pela casa.

A prevenção veterinária faz parte da proteção do pet, mas não substitui a inspeção após uma viagem. O CDC recomenda conferir cães e gatos depois de períodos ao ar livre, inclusive porque carrapatos podem entrar na residência junto com os animais e posteriormente picar pessoas.

Onde procurar no corpo dos pets?

Vale separar alguns minutos e examinar o animal com calma, abrindo a pelagem com os dedos. Olhe ao redor das orelhas, sob a coleira, nas axilas, entre os dedos, na virilha e perto da cauda. Em pelos escuros ou densos, o carrapato pode passar despercebido em uma olhada rápida.

A mesma atenção vale para os gatos que viajaram, mesmo que tenham passado boa parte do tempo dentro da casa. No nosso caso, somente um deles tinha um carrapato visível. Isso mostra o valor de conferir cada animal individualmente, sem presumir que todos tiveram a mesma exposição.

Também não dá para identificar a espécie do parasita apenas por ele ter aparecido perto de um rio ou por seu tamanho. E encontrar carrapatos mortos na casa, como aconteceu conosco, não permite concluir sozinho que havia uma infestação instalada. A informação mais útil naquele momento é onde foram encontrados, se estavam aderidos à pele e se continuam aparecendo.

 

As capivaras que vimos perto do rio tiveram relação com os carrapatos?

Essa foi uma dúvida inevitável. Encontramos os animais perto da água, vimos carrapatos depois da viagem e nossa cabeça ligou uma coisa à outra. Mas não observamos de onde vieram os parasitas nem sabemos sua espécie. Portanto, seria incorreto afirmar que as capivaras foram a origem dos carrapatos encontrados em nós e nos pets.

Existe uma relação ecológica que merece ser entendida. Em determinadas regiões brasileiras, capivaras podem hospedar carrapatos envolvidos no ciclo da febre maculosa. A doença, porém, não passa diretamente da capivara para a pessoa: a transmissão ocorre pela picada de um carrapato infectado. Outros animais também podem participar desse ciclo. CRMV-SP

Isso permite admirar a vida silvestre e, ao mesmo tempo, tomar precauções. Não é preciso tocar em uma capivara para entrar em contato com um carrapato. A atenção deve se voltar ao ambiente: vegetação, caminhos usados por animais, margens de cursos d’água e outros locais onde possa haver exposição.

A chuva diminui o risco?

Não há como usar os dias chuvosos da nossa viagem para estimar o risco que corremos. Nós ficamos mais na varanda e na sala, mas tivemos contato com a propriedade e levamos roupas, calçados, malas e animais de volta para casa. Basta isso para justificar uma checagem cuidadosa quando há suspeita de carrapatos.

Em uma próxima viagem, eu incluiria essa inspeção na rotina de chegada e de saída da hospedagem. Roupas claras ajudam a enxergar os parasitas; calças compridas e calçados fechados reduzem o contato com a vegetação. Em locais com possível exposição, o Ministério da Saúde também orienta evitar mato alto, usar repelente apropriado e verificar pessoas e animais. Ministério da Saúde

O ponto central é simples: uma paisagem bonita e a presença de animais silvestres não indicam, sozinhas, que alguém ficará doente. Mas encontrar carrapatos depois da visita merece atenção prática, sem pânico e sem culpar os animais que vimos.

 

O que fazer quando você encontra carrapatos na pele, nos pets ou na cama?

A primeira medida é conferir as pessoas e os animais, sem esperar até o dia seguinte. Examine o corpo todo, inclusive couro cabeludo, atrás das orelhas, axilas, cintura e atrás dos joelhos. Peça ajuda para olhar áreas que você não consegue ver bem.

Se encontrar um carrapato preso à pele, use uma pinça para segurá-lo o mais perto possível da superfície e puxe com firmeza e movimento contínuo. Depois, lave a pele e as mãos. Não aperte o corpo do parasita, não o esmague com os dedos e não tente fazê-lo soltar com óleo, esmalte ou calor. A retirada rápida reduz o tempo de exposição. Ministério da Saúde

Nos pets, a orientação também é remover prontamente o carrapato aderido. Se o animal não deixa manipular a região, se há muitos parasitas ou se você tem dificuldade para retirá-los, procure o veterinário. Evite aplicar por conta própria um segundo antiparasitário só porque encontrou um carrapato: o profissional pode conferir o produto já usado, sua duração e a necessidade de ajustar a proteção.

E os carrapatos encontrados pela casa?

Foi a parte que mudou o clima da volta para nós. Ver um carrapato no gato já pedia atenção; encontrar outros na casa e na cama ampliou a busca para roupas, lençóis e objetos trazidos da viagem.

Confira malas, calçados, roupas e tecidos que ficaram em contato com a bagagem. Lave as peças conforme as instruções do fabricante e examine a roupa de cama. Para roupas que podem ir à secadora, o CDC recomenda calor alto para eliminar carrapatos, com tempo adicional se as peças estiverem úmidas. Aspirar áreas onde os parasitas apareceram também ajuda a localizá-los e removê-los; descarte o conteúdo do aspirador de forma fechada.

Uma descoberta pontual não significa que toda casa precise de dedetização. Se carrapatos vivos continuarem aparecendo ou houver sinais de infestação, vale buscar orientação profissional para identificar o problema e escolher uma medida adequada ao ambiente. Avise sobre a presença de cães e gatos antes de qualquer aplicação de produto.

Nunca use um antiparasitário de cachorro no gato sem indicação veterinária. Alguns ingredientes presentes em produtos para cães, como a permetrina, podem ser altamente tóxicos para felinos. Esse cuidado é ainda mais importante em uma casa como a nossa, onde as duas espécies convivem.

 

Depois de encontrar carrapatos, quais sinais exigem atenção?

Encontrar um carrapato não significa que alguém contraiu uma doença. Ainda assim, todos da família precisam saber o que observar e contar a um profissional de saúde sobre a viagem caso surjam sintomas.

A febre maculosa, por exemplo, pode começar com sintomas pouco específicos, como febre, dor de cabeça e dores no corpo. O período entre a exposição e o início dos sintomas pode variar de dois a 14 dias. Se alguém apresentar febre ou mal-estar nesse intervalo, procure atendimento médico rapidamente e diga quando e onde houve contato com carrapatos. Não espere aparecerem manchas na pele para pedir avaliação. gov.br

Esse histórico faz diferença porque, diante de suspeita clínica de febre maculosa, o Ministério da Saúde orienta iniciar o tratamento indicado pelo médico antes mesmo do resultado dos exames laboratoriais. Por outro lado, a escolha de exames e tratamento depende da avaliação clínica; encontrar um carrapato, por si só, não define um diagnóstico. Ministério da Saúde

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E o Ozzy e os gatos?

Continue observando apetite, disposição e comportamento. Se algum pet ficar abatido, apresentar febre, perder o apetite ou mostrar outros sinais incomuns, informe ao veterinário sobre a viagem e os carrapatos encontrados. Algumas doenças transmitidas por carrapatos em cães, como a erliquiose, exigem avaliação e exames escolhidos de acordo com os sintomas e o momento da possível exposição.

O mesmo vale para a decisão de fazer PCR ou sorologia. Não existe um prazo único de exame que sirva para todo pet após todo contato com carrapato. O veterinário considera a espécie do animal, o parasita suspeito, os sinais clínicos e o período desde a exposição antes de indicar testes.

Nossa viagem continuou sendo especial. Guardo com carinho a imagem das capivaras com seus filhotes junto ao pé de banana e a surpresa de ver os tucanos. O que mudou foi a forma de encerrar um passeio: agora, antes de desfazer as malas e descansar, sei que vale conferir pessoas, Ozzy, os gatos e o que trouxemos conosco.

É uma tarefa pequena diante da tranquilidade que pode trazer. E, se algo aparecer, saber o que observar e a quem recorrer ajuda muito mais do que tentar adivinhar de onde veio cada carrapato.

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Denise Nicolau

Tutora apaixonada e criadora do Melhores Para Pet, um espaço dedicado a quem acredita que cuidar com amor faz toda a diferença na vida dos nossos animais.