Benefícios de ter pets na infância: afeto, convivência e cuidados

benefícios de ter pets na infância

Uma criança que conversa com o cachorro ou observa o gato brincar pode encontrar nessa companhia uma experiência cheia de afeto. Os benefícios de ter pets na infância podem incluir momentos de interação, participação no cuidado e oportunidades para conversar sobre sentimentos. Entretanto, esses resultados dependem da convivência, da orientação dos adultos e do bem-estar do animal.

Ter um pet não garante que a criança será mais empática, organizada ou menos ansiosa. Por isso, vale conhecer as possibilidades dessa relação sem transformar o animal em uma promessa de desenvolvimento emocional. Uma convivência positiva começa quando a família consegue cuidar dos dois: da criança e do pet.

Benefícios de ter pets na infância: o que a pesquisa permite afirmar?

A relação entre crianças e animais desperta interesse de pesquisadores, mas os resultados precisam ser interpretados com cuidado. Encontrar uma associação entre ter um pet e determinado comportamento não significa que o animal tenha causado essa mudança. A rotina familiar e outros fatores também podem influenciar o desenvolvimento.

No Brasil, um estudo publicado na revista CoDAS investigou a comunicação entre crianças, cães e adultos em famílias multiespécie. As autoras observaram o cão como participante das interações e apontaram possíveis benefícios para as habilidades comunicativas. No entanto, o trabalho foi exploratório e qualitativo: seus resultados não permitem prometer o mesmo efeito para todas as crianças. [1]

Companhia que abre espaço para conversar

O pet pode fazer parte de situações simples de troca. Enquanto observam o cachorro, por exemplo, criança e adulto podem conversar sobre o que ele está fazendo, do que precisa e quando prefere descansar.

Nessas ocasiões, a participação do responsável ajuda a dar sentido à experiência. Em vez de apenas pedir que a criança faça carinho, ele pode perguntar: “Será que ele quer se aproximar agora?”. Assim, o encontro vira uma oportunidade para observar, conversar e respeitar limites.

Também é possível compartilhar brincadeiras adequadas à idade, sempre com supervisão. O objetivo deve ser uma interação agradável para ambos, sem cobrar da criança uma reação específica ou obrigar o animal a participar.

Ter um pet não garante menos ansiedade

Embora algumas crianças encontrem conforto na companhia de um animal, não é correto afirmar que essa convivência funciona como tratamento para ansiedade. Um estudo de acompanhamento publicado em 2024 encontrou pouca evidência de associação entre ter pets e melhores resultados de saúde emocional ou cognição na infância, após considerar fatores que poderiam influenciar os resultados. [2]

Isso ajuda a entender por que os benefícios não são automáticos. Um vínculo afetuoso pode ter valor para a família, mas não permite prever mudanças na saúde mental da criança.

Além disso, conviver com um pet em casa é diferente de participar de uma intervenção assistida por animais, organizada por profissionais com objetivos específicos. Se houver sofrimento emocional, a família deve buscar avaliação, em vez de esperar que a presença do animal resolva o problema.

Afeto, empatia e responsabilidade na rotina

A convivência oferece situações em que os adultos podem ensinar cuidado e respeito. Perceber que o gato quer se afastar ou que o cachorro precisa descansar permite conversar sobre as necessidades de outro ser vivo. Entretanto, esse aprendizado exige orientação e exemplo.

O mesmo vale para a responsabilidade. A criança pode participar de tarefas compatíveis com sua idade, mas o adulto continua responsável pela alimentação, higiene, saúde e segurança do pet. A Sociedade Brasileira de Pediatria destaca o valor afetivo da convivência responsável e a importância do consenso familiar. [3]

Respeitar limites também é demonstrar carinho

Nem todo animal gosta de colo, abraços ou contato prolongado. Por isso, a família pode ensinar a criança a esperar a aproximação do pet e permitir que ele se afaste quando quiser.

Uma situação cotidiana ajuda a explicar essa ideia: quando o gato sai de perto, não é preciso segui-lo para continuar a brincadeira. O adulto pode mostrar que oferecer espaço também é uma forma de cuidado.

Da mesma maneira, a vontade da criança merece respeito. Se ela tem medo ou não quer tocar no animal, a aproximação deve acontecer sem pressão. O vínculo não precisa começar com carinho físico; observar à distância também pode fazer parte da convivência.

Pequenas tarefas, com apoio dos adultos

A participação infantil deve considerar a idade, a habilidade e a segurança. Algumas possibilidades são ajudar a separar brinquedos, acompanhar a organização dos acessórios ou participar de um cuidado simples com a presença do responsável.

Em vez de atribuir toda a rotina à criança, o adulto pode fazer a atividade junto e explicar sua finalidade. Dessa forma, o cuidado vira uma experiência compartilhada, sem colocar a sobrevivência do pet nas mãos de alguém que ainda está aprendendo.

Além disso, o animal precisa receber atenção mesmo quando a criança perde o interesse. Antes de adotar, a família deve avaliar quem assumirá o compromisso nos dias de escola, nas férias e ao longo de toda a vida do pet.

Convivência social sem promessas

O animal pode aparecer nas conversas em família, nos desenhos e nas histórias que a criança conta aos amigos. Esses assuntos oferecem oportunidades de interação, mas não garantem que uma criança tímida ficará mais confiante ou terá menos dificuldades sociais.

Por isso, vale acompanhar o que ela demonstra sentir. Algumas crianças gostam de falar sobre o pet; outras preferem diferentes atividades. A família pode acolher essas diferenças e oferecer várias formas de brincar e se relacionar.

Como tornar a convivência entre crianças e pets mais segura

O carinho deve caminhar junto com regras de segurança. Mesmo um animal conhecido pode reagir quando sente medo, dor ou desconforto. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda supervisionar as brincadeiras e alerta que muitas mordidas em crianças envolvem animais da família ou de vizinhos. [3]

Também é importante cuidar da saúde do pet e organizar os espaços da casa. Acompanhamento veterinário, higiene e locais de descanso ajudam a compor uma rotina responsável. Quando houver dúvidas sobre a saúde da criança ou do animal, procure o profissional adequado.

Supervisão e cuidado durante as brincadeiras

Um adulto deve acompanhar de perto as interações, especialmente com crianças pequenas, e interromper a atividade se houver desconforto. Ensine a não puxar orelhas ou cauda, não aproximar o rosto e não incomodar o animal enquanto ele come ou dorme. [3]

Abraços apertados não devem ser usados como forma de buscar consolo no pet. Prefira interações tranquilas, nas quais o animal possa escolher se aproximar ou sair.

Além disso, mantenha um espaço de descanso que a criança não invada. Se o pet tentar se afastar, interrompa o contato e ofereça distância. Brincadeiras agradáveis respeitam o ritmo dos dois.

Saúde, higiene e planejamento familiar

Mantenha as vacinas e a assistência veterinária em dia. A SBP também inclui a higiene e o cuidado com a saúde do animal entre as medidas importantes para essa convivência. [3]

Se a criança tiver alergia conhecida ou sintomas ao entrar em contato com o pet, converse com o pediatra sobre a situação. Evite tomar decisões com base na ideia de que toda criança precisa crescer com um animal.

Antes da adoção, pense também no orçamento, no tempo disponível e nas necessidades do pet. Uma decisão responsável considera o compromisso de toda a família, inclusive quando a rotina muda.

Sentimentos e luto: como acolher a criança

Um animal querido pode ocupar um lugar importante na história da família. Por isso, adoecimento e morte podem trazer tristeza, dúvidas e saudade. Esses sentimentos merecem acolhimento, sem apresentar a perda como uma experiência necessária para fortalecer a criança.

A Sociedade Brasileira de Pediatria explica que a compreensão da morte varia conforme o desenvolvimento e as experiências infantis. Sua orientação é abrir espaço para a conversa e escutar a criança. Não existe uma reação única que todas devam apresentar. [4]

Conversas sinceras e adequadas à idade

Ao contar que um pet morreu, escolha um momento tranquilo e explique o que aconteceu com palavras simples. Antes de acrescentar detalhes, procure entender o que a criança já sabe e quais são suas dúvidas.

A SBP recomenda adaptar as conversas difíceis à idade e à maturidade, com explicações verdadeiras e cuidadosas. Aplicado à perda de um animal, esse princípio ajuda a orientar uma conversa acolhedora. [5]

Evite dizer apenas que o pet “foi dormir” ou “viajou”, pois isso pode deixar dúvidas sobre seu retorno. Se não souber responder a uma pergunta, admita essa dificuldade e mantenha espaço para o diálogo.

Saudade sem pressa para substituir o vínculo

Desenhar o animal, guardar uma fotografia ou recordar uma brincadeira são possibilidades de homenagem, desde que a criança queira participar. Ela também pode preferir falar sobre a perda em outro momento.

Quando o sofrimento é intenso e dificulta as atividades do dia a dia, procure orientação profissional. A SBP destaca que algumas situações de luto infantil precisam de acompanhamento psicológico. [4]

Adotar outro animal não deve ser uma resposta automática à tristeza. A família pode decidir isso mais adiante, considerando sua disponibilidade para cuidar e respeitando a história do pet que morreu.

Leia também:

 

Vale a pena ter um pet na infância?

Os benefícios de ter pets na infância podem aparecer no afeto, nas conversas e nas experiências de cuidado compartilhado. Contudo, eles dependem de uma relação segura, da orientação dos adultos e do respeito às necessidades do animal.

Uma criança pode ter um desenvolvimento saudável sem conviver com pets. Para as famílias que desejam essa companhia, o melhor ponto de partida é avaliar se conseguem assumir o compromisso de cuidar.

Quando há condições para isso, a convivência pode render lembranças queridas e oportunidades de aprendizado. O vínculo cresce nos gestos cotidianos: oferecer atenção, respeitar o descanso e cuidar com constância.


Referências brasileiras e pesquisa complementar

  1. Santa Helena, A. P.; Cunha, M. C. Características das habilidades comunicativas em crianças pertencentes a famílias multiespécie. CoDAS, 2023. Pesquisa brasileira vinculada à PUC-SP. Consultar o estudo.
  2. Purewal, R. e colaboradores. Companion animals and child development outcomes: longitudinal and cross-sectional analysis of a UK birth cohort study. BMC Pediatrics, 2024. Pesquisa internacional complementar sobre os limites das associações entre pets e desenvolvimento. Consultar o estudo.
  3. Sociedade Brasileira de Pediatria. Animais domésticos. 2014. Utilizada para orientações de supervisão, prevenção de acidentes e cuidado responsável. Consultar a orientação.
  4. Sociedade Brasileira de Pediatria. Luto infantil. 2023. Consultar a orientação.
  5. Sociedade Brasileira de Pediatria. Comunicação de notícias difíceis com crianças: como lidar? 2025. Consultar a orientação.

Compartilhe esse conteúdo em suas redes sociais

Denise Nicolau

Tutora apaixonada e criadora do Melhores Para Pet, um espaço dedicado a quem acredita que cuidar com amor faz toda a diferença na vida dos nossos animais.